Eleições 2014 – Drops

 

Esse Drops é mais uma conversa, um desabafo, sobre minha pesquisa de candidatos a Deputado Estadual e Deputado Federal.

Pois bem, assistindo a alguns pedaços da propaganda eleitoral gratuita, cheguei à conclusão de que se eu quero votar consciente, de verdade, teria que pesquisar mais.

O meu “problema” começou porque eu realmente não queria votar nulo ou em branco ou apenas na legenda de algum partido. Essa última opção até passou pela minha cabeça, porém, votando apenas num partido, por mais que eu compartilhe de suas ideologias, não significa que a pessoa que vai assumir o cargo (com a ajuda dos votos da legenda) seria uma pessoa em que eu votaria… enfim.

Pesquisa

Comecei pesquisando por candidatos que fossem da minha região ou cidade. Pra isso usei o Eleições 2014. Nesse site, foi só isso que consegui fazer: saber a qual partido o(a) candidato(a) é ligado(a), número na eleição, cidade onde nasceu, etc. Ou seja, só informações “cadastrais”.

Mesmo com essas poucas informações, anotei o nome de alguns e os pesquisei no Ficha Limpa, que retira suas informações do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, por sua vez, tem informações mais completas sobre os candidatos.

Nessa segunda pesquisa risquei alguns nomes da minha lista. Então comecei a pesquisar pelos nomes que sobraram, e aí é que veio a minha decepção maior: pouquíssimos candidatos(as) divulgam suas propostas políticas.

Resultado

Tudo o que os(as) candidatos(as) divulgam são seus nomes e números da urna. . Um ou outro tem página no Facebook – e só com essas mesmas informações de nome e número – e um ou outro [2 dos 18 que sobraram da minha pesquisa] tinha uma página no site do partido onde esclareciam pelo menos os princípios que norteavam a sua atuação política.

                        Conclusão: estou nesse mato sem cachorro.

Não quero votar nos mesmos de sempre, porque não fizeram por merecer que eu repetisse meu voto neles. E os novos não se “mostram”: é quase como se eu tivesse que votar decidindo se “fui ou não com a cara” do(a) candidato(a).

E você, como pretende decidir seu voto?

P.S.: Ouça (ou leia) sobre a “polêmica” do voto nulo nessa edição do podcast Café Brasil.

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O mico

Golden Lion Tamarin Leontopithecus rosalia O mico

Quando se fala em mico, logo vem à mente o mico-leão-dourado, aquele bichinho simpático e belo das florestas brasileiras.

Mas o que eu quero falar aqui é no sentido pejorativo, ou seja: “pagar um mico”, um vexame, uma cena cômica, cafona ou coisa parecida.

Quem já não passou por isso pelo menos uma vez na vida? Certamente você que está lendo já passou! Nessas horas dá vontade de cavar um buraco no chão e enfiar-se nele! Mas ao invés de lamentações dessas ocorrências, vamos rir delas que é bem melhor.

Hino Nacional às avessas

Vanusa Hino Nacional O micoA cantora Vanusa que o diga, quando, em março de 2009, foi convidada a cantar o Hino Nacional na Assembleia Legislativa de São Paulo, nunca imaginou o mico que pagaria. Acabou cantando o Hino de “trás pra frente”. Ela alegou que foi um medicamento… Será?

Inspetor atrapalhado

No banco onde eu trabalhava tinha um inspetor que era conhecido por sua arrogância.

Certa vez ele foi designado para inspecionar uma agência no interior do estado de São Paulo. Chegou à agência bem cedo, segurou sua credencial na mão direita no estilo dos agentes do FBI e foi dizendo para o gerente da agência:

– Sou inspetor e vou fazer uma auditoria na agência, vamos começar conferindo o dinheiro no cofre.

Inspetor Bugiganga O mico

Imagem: http://likeanerd.pop.com.br/technobabbling-inspetor-bugiganga/.

O gerente acompanhou-o até o cofre e colocou todo o dinheiro que estava lá em cima da mesa.

Depois de mais de uma hora contando, o inspetor falou ao gerente:

– Me traga o A-536. [Planilha que registrava a entrada e saída de dinheiro da agência.]

O gerente, mostrando surpresa, perguntou:

– A-536? O que é isso?

O inspetor ficou uma fera:

– “O que é isso” digo eu! Você, um gerente do Banco Mercantil de São Paulo, não sabe o que é o A-536?

O gerente, meio atrapalhado, respondeu:

– Nunca fui gerente do Banco Mercantil, sou gerente do Banco Moreira Salles e já faz mais de cinco anos.

Só aí ambos entenderam que o atrapalhado inspetor tinha entrado na agência do banco errado.

Futebol ou balé

RTEmagicC futebol fada.jpg O mico

Fonte da imagem*

Mico mesmo pagou o Jairo, jogador do Figueirense, de Santa Catarina.

Ele foi eleito o pior jogador do “rachão” e teve que comparecer ao treino seguinte com um deslumbrante vestido cor-de-rosa.

Égua assanhada

Certa vez eu e meus irmãos fomos almoçar na casa da minha mãe. Conversa vai, conversa vem, toma uma cervejinha aqui e tantas outras ali, ficamos naquela “descompressão” de não-sei-o-que-fazer, até que alguém viu uma égua pastando tranquilamente em um terreno ao lado, comentando: “Será que é mansa?”

cavalos que mordem31 O mico

Fonte: http://ranchosaomiguel.com/wordpress/?p=1314

Eu, todo metido, fui conferir. A princípio ela foi dócil e deixou-se acariciar, mas foi só virar as costas e a danada deu-me uma tremenda mordida nas nádegas deixando meu precioso traseiro todo dolorido.

Tive de sentar de lado por um bom tempo, mas o pior foram as gozações que duram até hoje, fato que ficou conhecido como a “mordida da égua assanhada”.

Minhas mulheres

Antes de vocês pensarem besteiras eu já vou explicando que “minhas mulheres” são minha esposa, minhas duas filhas e minhas três netas.

Bem, elas são especialistas em pagar micos, alguns exemplos:

Dia desses, a minha neta Giulia, de oito anos, voltou da escola toda nervosa:

 O mico

Fonte: http://mulher.net/2012/10/09/como-introduzir-a-mesada-para-os-filhos/

– Vó, a tia da cantina foi grosseira comigo, eu falei com ela com toda a educação “Tia, a senhora poderia fazer o favor de trocar essa moeda de 50 centavos por outra de 1 real?” Ela respondeu “Você tá doida menina”.

Outro mico espetacular pagou minha esposa Angélica.

No dia 26.01.2010 eu tinha saído bem cedo e quando voltei encontrei-a tomando o café da manhã, nem a tinha cumprimentado pelo seu aniversário que acontecia naquele dia, quando a vi assustada e mais branca do que neve, até que ela falou:

– Pai – há muito tempo ela costuma me chamar de “pai” –, engoli a ponte!

Por um instante fiquei imaginando ela engolindo a Ponte Espraiada, aquela da região do Morumbi, até que ela explicou:

– Engoli a prótese dentária, aquela que o dentista acabou de fixar. E agora?

RAIOX1 O mico

Fonte: http://www.ndnucleodiagnostico.med.br/servico/raiox#ad-image-1

Resultado: ela foi a um pronto-socorro público ao lado da nossa casa, e a médica tirou uma radiografia e ficou apavorada, foi transportada de ambulância até outro hospital público, retornou de ambulância sem ser atendida e só foi resolver o problema no final do dia no hospital do convênio através de uma endoscopia.

No dia seguinte a caixa de entrada de seu e-mail estava lotada de gozações, e o mínimo que a chamaram foi de “engolidora de pontes”.

Mas hilariante mesmo foi o mico da Aline, minha filha. Na última quarta-feira ela foi convidada para um happy hour, do Citibank, onde trabalha. Ela estava toda empolgada e dizendo que era um local “chique”, com comidas e bebidas de vários países e por aí afora.

Para quem não sabe, happy hour é uma tradição americana que se espalhou pelo mundo e nada mais é que uma festa de fim de expediente para descontrair. A tradução é “hora feliz”, mas não foi nada feliz para a Aline.

Ela não queria dirigir com o sapato de salto alto, então botou uma Havaiana nos pés e foi embora, esquecendo os sapatos em casa.

Quando se deu conta, estava em plena festa, vestida com traje social e de Havaiana.

havaianas tradicional azul com swarovski O mico

Fonte: http://www.elo7.com.br/havaianas-tradicional-azul-com-swarovski/dp/2BFC4B

Teve que aguentar todo tipo de gozações e passar o tempo todo escondendo os pés. Era só um fotógrafo chegar por perto e ela já advertia:

– Só do joelho para cima.

Claro que teve quem não obedeceu, e o fato foi devidamente registrado para entrar nos anais daquela comunidade como “A cinderela de havaianas”.

Relatado por Darci Men.

*http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/com-rendimento-ruim-jogador-e-punido-e-obrigado-a-treinar-fantasiado-de-fada/?cHash=4d3c969df3af46a8fb163ca5b230345f.

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Como lançar uma revista em 7 passos

Os bastidores de uma publicação.

Edito podcasts já há alguns anos e as experiências que tive com o Cadeia de Eventos me ajudaram a formar um conceito de estilo temático para cada edição. Cada episódio fala de apenas um assunto, dessa maneira eu poderia aprofundar e colocar pontos de vista diferentes.

Pensei muito durante a vida, já participei timidamente da criação de fanzines que nunca foram lançados, e a ideia de ter uma revista estava em mim. Aí achei o tempo, as ferramentas e em poucos dias tinha formatado tudo, faltando apenas coletar material.

Passos que considerei :

 1. Ideia

Queria uma revista temática, como um podcast, pensei em qual assunto poderia tratar na primeira edição enquanto olhava pela janela do ônibus. Estava bem na minha frente: A CIDADE. Feia, cinza, bonita e colorida, apaixonante, angustiante, viva…

As ideias estão aí, pensamos em coisas que queremos e podemos fazer o tempo todo, mas dessa vez não ficou apenas no pensamento, ela se tornou real, porque eu permiti que ela crescesse.

2. Conteúdo

Agora comecei a pesquisar algumas revistas para poder saber o que eu colocaria nela. Olhando publicações diversas, comecei a estudar o design, a forma. Vi padrões de temas (entrevistas, dicas, propagandas) e comecei a desenhar, num papel de rascunho mesmo, que tipo de conteúdo e colunas eu queria. Optei por poesia, contos e uma grande entrevista sobre o tema.

3. Colaboradores

Escolhido o que conteria a revista, precisava de alguém que produzisse o material. Pensei em escrever, mas percebi que tenho pessoas muito talentosas à minha volta, e convidei alguns amigos. Confesso que o fato de não poder remunerar ainda nenhum deles me preocupou, mas mesmo assim consegui um ótimo material. Mas, caso não conseguisse esses brilhantes colaboradores, a vontade era tanta que eu publicaria sim uma revista só com textos meus, mesmo achando que o conteúdo ficaria uma porcaria.

4. Edição

Agora ao trabalho!

Sei que a maioria dos designers utiliza o Illustrator ou até outras ferramentas específicas para editoração de revistas, mas eu quis aproveitar meus conhecimentos no CorelDRAW para esse trabalho. E deu trabalho sim, mas a pesquisa de formato e conteúdo me ajudou a utilizar certos parâmetros. Conversando depois com pessoas especializadas, percebi que utilizei realmente técnicas do mercado. Fiquei feliz por conseguir fazer algo bom, utilizando meu conhecimento prévio e que teve um bom resultado!

LATIDObr01 Editando Como lançar uma revista em 7 passos

Editando a Revista LATIDObr

 5. Revisão

Essa é uma etapa muito importante! NÃO SE DEVE REVISAR O PRÓPRIO TRABALHO. Converse com pessoas interessadas em leitura, professores de português, permita que pessoas de confiança leiam seu material antes de publicar. Repito: isso é MUITO importante!

6. Publicação

Optei pelo site ISSUU. O módulo básico dele permite uma publicação em um formato muito interessante. Tem algumas limitações na versão gratuita (por exemplo, só é possível que se façam 25 downloads da edição, mas tudo bem, já que posso subir o arquivo em PDF e disponibilizar o link em outros locais).

7. Divulgação

Redes sociais! Não tem outra maneira. O caminho é esse. Email pode ajudar? Pode, mas ninguém mais lê! Então, Facebook, Twitter, se tiver um blog divulgue o material, conte com os amigos, sozinho ninguém faz porcaria nenhuma funcionar direito.

Abaixo o resultado de nosso trabalho:

Ou faça o download grátis da Revista LATIDObr 01 – A Cidade.

É isso! Um grande abraço e até a próxima.

 


 

 

Poesia e a descoberta do mundo

Sempre vejo por aí comentários sobre a Literatura dizendo, às vezes, que ela é uma fuga e um alívio para a realidade dura (de merda rs) que enfrentamos nos nossos dias sobre Terra…

Acho essas frases feitas interessantes e ambíguas porque, para mim, apesar de a leitura ser uma espécie de casulo em que você parece se distanciar da realidade, ao mesmo tempo foi uma das coisas que me ajudaram a entender melhor o mundo, a sociedade e as pessoas, as relações humanas enfim.

E o meu caminho pela leitura, pela Literatura Poesia e a descoberta do mundo, começou pela poesia e não pela prosa, como é o mais comum. E o livro que me despertou para o mundo [o real rs] e para o mundo das Letras foi o A Rosa do Povo, do Carlos Drummond de Andrade, este, até hoje, um dos meus autores mais queridos; quando fico muito tempo sem ler algo dele, e retomo a leitura de um velho poema conhecido, sinto como se estivesse reencontrando um velho amigo, pois conheço aquele jeito de falar, de se expressar, aquelas ideias e aquele sentimento de que ele te entende e você o entende, como se fôssemos cúmplices nessa vida besta rs.

DSC00993 Poesia e a descoberta do mundo

Minha edição de A Rosa do Povo.

A Rosa do Povo é um livro de poemas que eu acho fantástico! [Essa provavelmente é a voz da fã falando, mas o livro é bom mesmo! icon smile Poesia e a descoberta do mundo ] Alguns poemas têm um clima pesado, outros um tom desiludido… Muitos estudiosos dizem que é o retrato de como as pessoas estavam se sentindo num mundo que viu e estava vendo ainda os acontecimentos da 2ª Guerra Mundial Poesia e a descoberta do mundo. Foi a leitura desse livro de poemas, por exemplo, que me fez ficar curiosa e me interessar por História, para saber o que tinha acontecido, o que era essa Guerra e por que as pessoas estavam tão sorumbáticas no mundo…

[P.S.: Li esse livro no começo da adolescência, lá pelos 12 ou 13 anos, e a escola que eu frequentava não era lá essas coisas em questão de ensino...]

E foi assim, com um livro de poemas me levando a um de História, que me levou a um de Filosofia, que me levava a um de crônicas e contos, que me remetia a um outro de prosa, que eu fui conhecendo mais do mundo em que vivo e mais das pessoas com quem vivo. Para mim, a leitura pode até ter servido de fuga da realidade em alguns momentos, mas foi a maior responsável por abrir as cortinas e mostrar o mundo como o vejo hoje.

Quem se interessar pelos poemas e prosas do Drummond, tem esse site muito legal do Memória Viva e vários outros pela Internet a fora rs. Você também pode procurar livros dele nas bibliotecas públicas [foi onde onde encontrei e li quase todos os livros dele], enfim, para um leitor curioso e apaixonado pelas letras e pelo mundo-livro oportunidades de lê-los é o que não falta.

Boas leituras e boa semana!

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O bullying e o aprendizado

Essa é especial para os meninos: que me perdoe a patrulha do politicamente incorreto, mas a trollagem é uma das melhores coisas da vida.

Em tempos de discussões tão acirradas sobre o bullying, eu vejo que nesse processo de criarmos uma consciência tão excessivamente cuidadosa com a formação da autoestima dessa juventude, algumas coisas importantes são perdidas no caminho. Hoje em dia não consigo esconder um sorriso cada vez que ando pela faculdade e vejo um garoto dando um pescotapa no amigo. Significa que certas tradições ainda se mantêm. Acreditem ou não, meninas, isso nos faz muito bem.

Fui adolescente nos anos 1990, numa época em que bullying era uma expressão que nem existia. A expressão, mas não o ato. O bullying era comum e não há como negar: em muitos casos, era puro sadismo social.


O que confunde muita gente é quem nem toda “zoeira” era bullying, nem toda trollagem tinha a intenção de humilhar. Muitas vezes, era justamente o contrário. Se pegassem uma máquina do tempo e voltassem ao verão de 1994, veriam que eu e os distintos cavalheiros que são hoje meus padrinhos de casamento, amigos de longa data e pessoas do meu mais íntimo convívio social, vivíamos nos batendo. Ninguém vinha à escola de calça de moletom e ficava impune – sempre tinha alguém para baixar suas calças em locais públicos; ninguém soltava piada sem graça sem tomar um monte de tapas na cabeça; ninguém arrotava alto e esquecia de encostar o polegar na testa; amarrar o tênis perto dos amigos era sempre uma tortura, porque não paravam um minuto de te desequilibrar. Tinha o “passar a jaca”, o tapa com a ponta dos dedos no saco, o dedo molhado no ouvido, a pasta de dente na cara durante os cochilos, o puxão de orelha nos aniversários… Certos dias, nossa rotina parecia um episódio dos três patetas, só que com muito mais patetas.

A zoeira, de modo geral, é um jogo. Você zoa seu amigo, ele te zoa. Quem zoa mais, ganha. Quem fica sem resposta, perde. Simples assim. É verdade que, como tudo que é competição na vida, é fácil se deixar levar pela vontade de vencer e começar a quebrar regras. E isso inevitavelmente acontecia. Em muitos momentos a trollagem perdia os limites e alguém ficava bastante ofendido, e com razão.

A questão é que isso nunca foi privilégio das brincadeiras de mau gosto entre adolescentes. Conviver é assumir o risco de magoar as pessoas que a gente ama, algumas vezes intencionalmente, mas muitas vezes sem querer. Atire a primeira pedra quem nunca magoou os pais ou avós ou cônjuges com algo que disse e depois se arrependeu. Acontece. É um ajuste natural que faz parte do processo de convivência. Demorei anos para entender isso, mas é um fato da vida: infelizmente não se pode aproximar-se de verdade de um ser humano sem assumir esses riscos.

Foi com meus amigos que percebi que esse é um risco que vale a pena correr. Quando se supera essa fase das ofensas, quando se aprende a perdoar (e evitar, quando necessário) o mau dito, as amizades se consolidam de verdade. Você deixa de apenas rir dos seus amigos e com seus amigos, e aprende a rir de si mesmo. E quando a gente aprende a rir de si mesmo, é sinal que a autoestima está em alta. E com autoestima saudável tudo fica melhor. Até as piadas.

Vem também a confiança. Os xingamentos se abstraem e perdem o seu sentido pejorativo original: você chama o seu amigo negro de negão e ele sabe que não é racismo, ele te chama de corno e você sabe que ele não acha sua mulher infiel, vocês dois chamam aquele seu amigo homossexual de bichona e ele sabe que vocês não estão destilando homofobia; e chamam o outro amigo heterossexual de viadinho, e ele sabe que não estão desconfiando de sua opção sexual. Todos os significados e contextos ofensivos estigmatizados milenarmente nos mais escabrosos palavrões são convertidos simplesmente em um “Seu troll do caralho!” ou então um “Seu bundão, que disse que ia encontrar a gente na balada e não foi!”. Você não se ofende mais porque sabe, no âmago mais profundo da sua alma, que seu amigo jamais teria a intenção de te ofender: vocês viveram juntos, cresceram juntos, apoiaram uns aos outros nos momentos mais difíceis de suas vidas. Enfim, são pessoas que conquistaram a duras penas o direito de se chamarem de filho da puta de vez em quando.

Quando se chega nessa fase, descobre-se que todas as histórias lendárias de amizade verdadeiras, a lealdade dos mosqueteiros, a união dos cavaleiros da Távola Redonda, não são de todo ficção. Pelo menos em termos de relações, aquilo tudo é possível. Basta saber o exato momento de deixar o mimimi de lado e começar a rir quando tomar um pescotapa daquele seu colega.

 

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