Kevin Johansen – La chanson de prévert

Primeiro, ouçam:

Descobri esse cara por acaso, lendo um post do Lady Comics sobre a Eleanor Davis.

Bom, se você foi curioso e leu o post, provavelmente não viu menção nenhuma a esse tal de Kevin Johansen. Mas se você leu o post, viu também que lá no meio a Mariamma Fonseca, autora do texto, cita dois outros posts em que ela fala sobre suas desenhistas preferidas, a Lisk Feng e a Tateé.

Como eu gostei MUITO das ilustrações da Eleanor Davis, fui clicando nos links pra ver se ia gostar das outras autoras também. E é claro que eu gostei!

Bom, no post sobre a Tateé, logo no comecinho, pede-se que o leitor coloque pra tocar essa música, La chanson de prévert, na versão do Kevin Johansen [essa música é famosa na voz de seu compositor, Serge Gainsbourg].

E eu não sei se foi a música em si, essa versão, as ilustrações, o post ou se foi tudo isso junto, mas eu achei essa música/versão linda! E fui clicando nas sugestões do YouTube mesmo, ali do lado direito… Resumindo, passei o dia inteiro ouvindo as músicas do cara e curtindo cada vez mais icon smile Kevin Johansen – La chanson de prévert

Ainda estou descobrindo esse artista, mas já tem uma música que virou uma das minhas preferidas:

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Uma história de amor na Proclamação da República

Recebi de um amigo a seguinte mensagem: “Você que gosta da história da Roma Antiga, saiba que o dia 15 de novembro não se comemora só a Proclamação da República do Brasil, mas também se comemora o dia da Deusa Etrusco-Romana Ferônia, que era a Deusa dos Bosques e Florestas. Pelo menos uma vez te ‘passei a perna’, duvido que você já soubesse disso!”

Então, para não “passar em branco” o desafio dele, escrevi-lhe o texto que vou transcrever abaixo:

“Meu caríssimo, desta vez você me deu uma ‘feroniada’. Confesso, eu nunca tinha visto nem ouvido falar da tal de Ferônia, mas e daí? Que importância isso tem? Já que você tocou no assunto da Proclamação da República, você sabia que uma história de amor foi decisiva para a programação da nossa República?

Não? Então eu vou lhe contar:

Acontece que, por volta de 1883, quando o Marechal Deodoro prestava serviços no Rio Grande do Sul, ele conheceu uma viúva muito bela chamada Maria Adelaide, a Baronesa do Triunfo, e por ela se apaixonou. Só que ela preferiu o gaúcho Gaspar Silveira e uma rivalidade histórica foi criada entre o Marechal Deodoro e o seu rival.

Ambos seguiram seus caminhos, O Marechal, é claro, sem o seu amor, mas a referida rivalidade entre os dois ‘machos’ persistiu e, sempre que podiam, um ‘cutucava’ o outro, enfim, tornaram-se inimigos declarados.

Em 1889, na época da Proclamação, o Marechal Deodoro tinha a mais alta patente do Exército e, tinha também, muita influência e prestígio nos meios militares; e o Gaspar Silveira, por sua vez, era um influente político da Corte.

Quando os militares do quartel da Praça da Aclamação se amotinaram (na atual Praça da República, no Rio de Janeiro Uma história de amor na Proclamação da República), os interessados na mudança do governo, ou seja: A Igreja Católica, os militares, os cafeicultores, os maçons, entre outros, todos descontentes com a Monarquia, por um motivo ou por outro, viram uma oportunidade de efetivar o golpe militar, mas, para tanto, eles precisavam do apoio do Marechal Deodoro. O problema é que o Marechal era um monarquista e, até então, não se envolvera nessa questão. Os tais ‘interessados’ tinham que achar uma maneira de ele mudar de lado e viram em sua rivalidade com o Gaspar Silveira, a essa altura já notória e pública, uma forma disso se concretizar. Então fizeram chegar aos ouvidos do Marechal uma informação de que seu ‘querido’ rival seria o próximo Presidente do Conselho de Ministros (praticamente quem governava), em substituição ao Visconde de Ouro Preto (outro ‘querido’ inimigo do Marechal), e o pior: Que já estava pronta a ordem de prisão dele.

Nunca se comprovou se essas informações que o Marechal recebeu eram verdadeiras ou não, mas o fato é que ela surtiu o efeito desejado pelos republicanos, pois o velho Marechal, mesmo doente, no dia 15/11/1889, montou em seu cavalo e foi até a Praça da Aclamação (onde estavam os amotinados) e, em um gesto teatral, ainda montado em seu cavalo, retirou o seu chapéu militar e gritou: Viva a República! (Esta cena ficaria imortalizada no quadro de Benedito Calixto).

Benedito Calixto   Proclamação da República 1893 Uma história de amor na Proclamação da República

“Proclamação da República” (1893). Óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927). Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo.

Outro fato Interessante é que este gesto ficou conhecido na história como o da Proclamação da República Uma história de amor na Proclamação da República, quando na verdade foi apenas uma demonstração da adesão do Marechal à causa republicana. A Proclamação propriamente dita ocorreu no dia seguinte quando o Marechal assumiu a presidência do governo provisório. Provisório mesmo, porque seu primeiro ato foi determinar um referendo popular para que o povo aprovasse ou não, por meio de voto, a nova forma de governo. E, mais interessante ainda, esse governo provisório ‘só’ durou 104 anos, porque somente em 1993 ocorreu o plebiscito referendando, definitivamente, essa forma de governo (este é o Brasil!).

Portanto, diante destes fatos, podemos dizer que o Marechal Deodoro foi mais ou menos ‘usado’ e impulsionado pelo seu coração apaixonado.

Você sabia disso, meu caro?”

Que a Paz esteja com todos,

Darci Men.

The Danish Poet – Curta

Começo o post dizendo que não sei bem o que dizer sobre esse curta…

Digo apenas que ele me tocou de alguma forma e me fez ficar curiosa pra conhecer a obra literária de Sigrid Undset.

Espero que gostem!

Parte 1:

Parte 2:

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Dois Grupos – Uivos Filosóficos

Por Etson Delegá

Depois de muito pensar no mundo, na humanidade, nos problemas do homem moderno (que eu acho que continuam sendo os mesmos problemas de sempre, mas com roupa da moda), acho que cheguei a uma conclusão muito estranha.

A raça humana se divide em dois grupos distintos de comportamento: o grupo dos que pensam e o grupo dos que fazem.

O mundo pertence aos que fazem, mas os que fazem não pensam muito e, quando pensam, pensam porca e apressadamente, porque o negócio deles é fazer e não pensar. Por isso o mundo está na merda em que está.

Os que pensam conhecem bem os problemas e podem até indicar soluções, mas não fazem porra nenhuma, e quando, num esforço titânico, resolvem fazer algo, fazem malfeito, porque o negócio deles é pensar e não fazer. Por isso existe tão vasta literatura social, política, econômica, filosófica e científica apontando a problemática de nossa civilização e propondo um sem-número de soluções, e mesmo assim o mundo continua na merda em que está.

Vejam exemplos.

gregos Dois Grupos   Uivos FilosóficosO que fizeram Aristóteles, Sócrates e Platão com sua sabedoria? Nada. Toda a aplicação prática da filosofia se deve a outrem que não os filósofos. Maquiável não foi um déspota, Luís XV foi. A coisa mais próxima que Marx fez de uma revolução foram algumas brigas de bar; foi Lênin que pôs a mão no sangue, quer dizer, na massa.

Existe intercâmbio entre os que fazem e os que pensam. Geralmente, quem faz simpatiza com determinada ideia e decide realizá-la, e é via de regra essa ideia ser fruto de um dos que pensam. Mas é evidente que existe uma certa falta de diálogo (talvez de entendimento, por melhor dizer) entre os pensadores e os realizadores. É possível que isso seja consequência do desdém que uma categoria costuma sentir pela outra.

De todo modo, o fato é que pensadores e realizadores não falam a mesma língua, e isso é refletido em tudo o que é feito, construído e produzido no mundo. Na maioria dos casos, se transformam em defeitinhos quase imperceptíveis, idiossincrasias pequenas – afinal de contas: o seu celular funciona, a TV funciona, muitas empresas funcionam, e tudo isso foi concebido a partir de uma ideia e realizado por alguém – entretanto, não seria possível que essa dissonância, quando analisada em larga escala, produzisse a maioria dos conflitos produtivos e conceituais que temos em nosso mundo?

Bem, esse é o meu pensamento fajuto de hoje.

Se você é um realizador, encontre uma utilidade pra isso e mãos à obra! Já se você for um daqueles que pensam, inspire-se nessa enorme besteira que eu escrevi pra desenvolver uma tese e ponha no seu blog, ou publique, ou queime, se quiser.

Abraço a todos.

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Narradores de Javé – Filme Comentado

Bem, como sabem, ou não, eu me considero uma pessoa das Letras – não por ser formada na matéria, o que sou, mas sim por gostar de tudo que envolva palavra, seja ela falada, escrita, desenhada e por aí vai.

E foi justamente por esse gosto que o filme Narradores de Javé despertou minha curiosidade, apenas pelo título, antes mesmo de saber do que é que se tratava a história.

pôster do filme Narradores de Javé – Filme Comentado

O filme conta a história do Vale do Javé, que logo ficará submerso pelas águas de uma barragem. Os moradores não são avisados com antecedência, pois eles não têm o registro de posse das terras.

Inconformados com a situação, alguns moradores tentam descobrir um jeito de salvar a cidade, assim, um dos moradores descobre, conversando com os engenheiros responsáveis pela construção, que se a cidade tivesse algo que pudesse ser considerado patrimônio histórico, haveria uma chance de salvarem suas casas da inundação. Porém, esse patrimônio deveria ser também comprovado em um documento científico.

Nesse ponto já me chamou a atenção o fato de eles considerarem/classificarem como documento científico algo que fosse escrito, à tinta, no papel; contrapondo, de certa maneira, logo no início do filme, a importância da escrita versus oralidade na vida das pessoas daquele povoado.

narradores2 Narradores de Javé – Filme Comentado

O povo do Vale do Javé.

Depois de muita discussão, os moradores chegam à conclusão de que a única coisa de valor que existe na cidade é a sua história – a história da fundação da cidade, que inclui as suas próprias.

Aí, a questão é que na cidade ninguém sabe escrever… a não ser Antônio Biá, o antigo carteiro. Mas os moradores de Javé não confiam nele, pois, há algum tempo, ele usou o seu dom/poder da escrita para manter o seu emprego.

Eu explico: como um carteiro sobrevive numa cidade onde ninguém sabe escrever? Bem, ele mesmo escrevia as cartas, inventava histórias sobre os moradores e as ia mandando, para que o governo visse que aquele Correios era ativo e, assim, ele não perdesse o emprego. Quando descobriram as histórias cabeludas que o carteiro criava sobre os seus vizinhos, bem, eles ficaram muito bravos: o posto do Correios fechou, Biá perdeu o emprego, os amigos e caiu na bebedeira.

Mas, ainda assim, ele era o único que sabia escrever, então, muito a contragosto e com a desculpa de pagar sua dívida com a cidade pelas falcatruas que cometeu, a missão de reunir o maior número de informação possível para escrever a história do Vale do Javé fica a seu cargo.

narradores de javc3a9 Narradores de Javé – Filme Comentado

José Dumont como Antônio Biá.

O ex-carteiro começa então a percorrer a cidade à procura de depoimentos que o ajudem a compor a história da fundação do Vale do Javé, mas cada morador conta uma história diferente, e não só isso, mas também acrescentando sempre um personagem novo, normalmente um antepassado que teve importância fundamental nessa fundação, pois todos querem fazer parte dessa história, pois todos sabem que as suas histórias estão mesmo naquele Vale…

Daí em diante o que se vê no filme são algumas confusões envolvendo a escrita do documento científico, Biá se aproveitando do poder a ele investido pelo uso da palavra escrita etc., e no meio de tudo isso, há uma discussão implícita sobre a importância da escrita e, ao mesmo tempo, sobre o valor da cultura oral.

Enfim, não estou aqui para dar conclusões sobre o assunto, mas posso dizer que quem se interessa pelo poder da palavra, escrita ou falada, vai gostar bastante desse filme e, assim como eu, acho que não chegarão a uma conclusão definitiva sobre o assunto.

Ah, também não vou contar o final do filme, mas vou dizer que não é um final lá muito feliz…

Título: Narradores de Javé

Lançamento: 2003

Direção: Eliane Caffé

Atores: José Dumont, Nelson Xavier, Matheus Nachtergaele, Nelson Dantas, Gero Camilo, entre outros.

Duração: 100 min

Gênero: Drama

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