Skip to content


Cenários da Copa de 2010: Os estádios da África do Sul

Cláudia Bastos Coelho -- Convidada especial

Este ano, a África do Sul ganha novos marcos para sua arquitetura, e são marcos monumentais. Dos dez estádios que abrigarão os jogos, cinco foram construídos especialmente para a Copa.

Dentre os meus preferidos estão o Moses Mabhida em Durban e o fantástico Soccer City em Joanesburgo.

O Moses Mabhida, cujo projeto, selecionado através de concurso, é fruto de uma parceria entre dois escritórios alemães, é talvez o mais elegante dentre todos os estádios, com seu grande arco central sustentando uma delicada membrana tensionada. O mais interessante é que os visitantes poderão ter uma visão da cidade do topo do arco, acessado através de um tipo de bondinho. E a vista não é nada ruim! O acesso ao estádio também é um espetáculo à parte. Ao invés das costumeiras entradas por baixo da arquibancada, o espectador adentrará por uma das bases do arco tendo uma visão completa do estádio.

durban03 Cenários da Copa de 2010: Os estádios da África do Sul

Estádio Moses Mabhida em Durban

Fonte: Wikipedia

em Durban

Acesso ao estádio

Fonte: Arcoweb -- arquitetura

Já o estádio Soccer City, nas proximidades de Soweto, construído em 1987 e sede da Federação Sul Africana de Futebol, passa por uma grande transformação para abrigar a primeira partida e a final da copa de 2010. O projeto final, coordenado pelo escritório Boogertman Urban Edge, traz inúmeras referências da cultura local. A forma do estádio, por exemplo, é baseada no calabash, um tradicional vaso africano, e o exterior será revestido com painéis de fibra de vidro e concreto em seis tons característicos da peça. O estádio possui dez aberturas verticais que estão alinhadas geograficamente com os nove demais estádios sul africanos e com a arena de Berlim, que sediou a final da copa de 2006. O resultado é um harmônico jogo de vazios e cores, que se acentua à noite com a iluminação interna do estádio. Incrível! A arena que já carregava em seu histórico eventos de grande importância para o país, como o primeiro discurso de Mandela após a prisão, agora carregará em sua forma traços da cultura africana.

cidade-do-futebol

Soccer City em Joanesburgo

Fonte: Arcoweb

A Fifa disponibilizou em seu site um espaço destinado aos estádios da Copa. Para conhecê-los melhor, acesse: Estádios da Copa-FIFA .

Só não posso terminar este post sem citar o estádio Mbombela, em Nelspruit, cuja textura de zebrinha nas arquibancadas é realmente o máximo.

mbombela Cenários da Copa de 2010: Os estádios da África do Sul

Estádio Mbombela em Nelspruit

Fonte:Catedrais Desportivas

Por Cláudia Bastos Coelho, Arquiteta, autora convidada.

Quer saber mais sobre os estádios da copa? Veja o video abaixo:

-

Publicado em Arquitetura, Esportes.

Etiquetas , , .


DIA INTERNACIONAL DA MULHER – La Lunna 11

RESISTÊNCIA E LUTA DAS TRABALHADORAS

Por Elaine Zaragosa

8-de-março
O dia internacional da mulher comemora no ano de 2010, os cem anos de sua celebração. Embora existam controvérsias entre pesquisadores a respeito da origem do 8 de março, esta data simboliza a luta de 129 operárias têxteis de uma fábrica de tecido em Nova York, que morreram carbonizadas por seus patrões após reivindicarem melhores condições de vida e trabalho. Sensibilizada com a situação dessas mulheres, Clara Zetkin, propôs em 1910, na Segunda Conferência Internacional de Mulheres, na Dinamarca, o dia internacional da mulher.

dia internacional da mulherClara Zetkin, sempre lutou para que a questão feminina fosse assunto de debate dentro do movimento operário. Lutou entre outras coisas, pelo sufrágio feminino, por melhores condições de trabalho das mulheres nas fábricas e principalmente, por uma organização específica das operárias. Por esse motivo, a questão das mulheres existe apenas para as mulheres do proletariado, da pequeno-burguesia e da intelectualidade. Segundo Clara, as mulheres da alta burguesia podem desenvolver as suas habilidades e individualidades livremente, se assim quiserem. E quando é submissa ao marido o é apenas economicamente, então quer lutar contra o homem de sua classe. A mulher pequeno-burguesa quer alcançar a liberdade econômica, por isso tem aspirações feministas. Por seu lado, as intelectuais não são mais do que proletárias mentais. Buscam além da libertação econômica, a espiritual e a cultural. Para Clara Zetkin, a questão feminina surge a partir da necessidade de exploração do capital que busca força de trabalho mais barata e surge a partir daí a mulher proletária. Esta não tem como desenvolver a sua individualidade e a sua subjetividade. A sua luta não pode ser contra o homem de sua classe, pelo contrário, a sua luta deve ser junto ao homem de sua classe e contra a sociedade capitalista. O objetivo final de sua luta não é obter a possibilidade de concorrência com o homem.

Clara tira destas suas reflexões, algumas idéias para a organização política das mulheres trabalhadores e da pequeno-burguesia intelectualizada. A principal delas é a seguinte: na luta das mulheres a importância prioritária deve ser dada a questões que permitam unificá-la ao movimento operário, desenvolvendo assim a consciência de classe das trabalhadoras.

Ainda hoje, cem anos depois, as mulheres continuam sofrendo com as opressões. Sendo tratadas como objetos sexuais, vitimadas pela violência doméstica, são elas, as maiores vítimas da crise econômica. Segundo dados oficiais de órgãos como ONU, OIT, UNICEF e Banco Mundial, as mulheres somam 70% dos 1,3 bilhões de pobres absolutos do mundo; o trabalho não remunerado da mulher no lar representa um terço da produção econômica mundial (ONU). Das mulheres em idade de trabalhar (fora do lar), apenas o fazem 54% contra 80% dos homens (OIT). As mulheres desempenham a maior parte dos trabalhos mal pagos e menos protegidos (OIT). As mulheres ganham entre 20% e 30% menos que os homens (OIT). No nível da educação, 2/3 dos 876 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Ao cumprir os 18 anos as garotas têm em média 4,4 anos menos de educação que os homens da mesma idade. Dos 121 milhões de crianças/as não escolarizados no mundo, 65 milhões são meninas. (ONU, Unicef).

No nível da saúde, a cada ano morrem no mundo mais de meio milhão de mulheres como consequência da gravidez e do parto, o que está diretamente relacionado ao nível de pobreza.

dia-internacional-da-mulherNos países coloniais e semicoloniais, a taxa de mortalidade materna é de um a cada 48 partos. Em países europeus, como a Espanha, morrem 3,9 mulheres a cada 100 mil. Na Espanha 98% das mulheres recebem assistência durante a gravidez e o parto. Nos países coloniais e semicoloniais 35% das mulheres não recebem atenção pré-natal; quase 50% dão à luz sem assistência especializada. As últimas estatísticas indicam que há mais mulheres que homens infectadas pelo vírus HIV. Mulheres trabalhadoras e pobres continuarão morrendo, enquanto as clínicas clandestinas ganham fortunas graças à legislação repressiva que impede que o aborto seja realizado nos hospitais em forma gratuita e nas melhores condições médicas. E esta deplorável situação chega à sua máxima expressão quando vemos os dados sobre a violência contra a mulher. A cada ano, pelo menos 2 milhões de meninas entre 5 e 10 anos são vendidas e compradas no mundo como escravas sexuais. A cada duas horas, uma mulher é apunhalada, apedrejada, estrangulada ou queimada viva para “salvar” a honra da família. Situações como essas, evidenciam que não somente o 8 de março, mas cotidianamente, a luta das mulheres seja lembrada como uma luta de toda a classe trabalhadora por melhores condições de vida, trabalho e dignidade a todos.

Fontes: Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional(LIT-QI) – Secretaria Internacional da Mulher

tar35 DIA INTERNACIONAL DA MULHER   La Lunna 11 Escrito por Elaine Zaragosa - Outros Posts dessa Autora

Você acabou de ler:

Dia-internacional-das-mulheres

Publicado em La Lunna.

Etiquetas , .


Replay – Curta animado

replay

Da ESMA – Ecole Supérieure des Métiers Artistiques.

É o tipo de situação onde a Mulher precisa demonstrar sua força desde o inicio da historia.

Mas faltou uma bundinha nela, convenhamos.

Uma extraordinária animação francesa,muito forte e sensível, e com legendas em inglês. Português? Se achar, põe ai nos comentários que eu troco!!

É só deixar carregar, apertar o modo tela cheia e apreciar.

animação
A influência em jogos é bem clara, principalmente nas tomadas escolhidas pelo diretor.

Continue vendo o post clicando aqui!

Publicado em Curta.

Etiquetas , .


Blosics 2 – Jogo Online

Imagina atirar fubecas em castelos feitos de dominó. É essa a sensação de se jogar Blosics 2. Uma opção divertida e viciante de jogo!

Blosics 2

Blosics 2

Continue vendo o post clicando aqui!

Publicado em Videogame.

Etiquetas .


A arquitetura no sul da África – Especial

Cláudia Bastos Coelho – Convidada especial

Este ano a África do Sul sediará a primeira Copa do mundo de futebol realizada na África. Com os investimentos para o evento, o país ganhará modernos estádios e um incremento em sua infra-estrutura para garantir o acesso aos jogos. Este post é uma tentativa de mostrar um pouco da arquitetura sul africana, aproveitando o momento de grande evidência do país entre os povos de todo o mundo.

Quando me propus a escrever sobre a arquitetura da África do Sul, logo percebi que tinha um grande desafio pela frente. Apesar de algumas influências da cultura africana em nossa própria cultura, o desconhecimento sobre o continente africano é tamanho, que a primeira pergunta que fiz foi: O que há de significativo na arquitetura da África do Sul?

Contrariando meus preconceitos, dei de cara na edição de janeiro da revista Projeto e Design, com o projeto do arquiteto Peter Rich para o Centro de Interpretação em Mapungubwe, que recebeu o título de edifício do ano no World Architecture Festival, desbancando grandes nomes da arquitetura internacional. Trata-se de um edifício pequeno e simples, construído com materiais e técnicas locais e que, para grande orgulho do arquiteto, contou com a participação da população em sua concepção e execução.

Mapungubwe

Centro de Interpretação em Mapungubwe. Arquiteto Peter Rich

fonte: Urbarama

As formas arredondadas com tonalidades em ocre do projeto de Peter Rich lembram algo das marcantes habitações Zulus, povo que resistiu contra a colonização inglesa e bôere* na região, e corresponde hoje a cerca de 22% da população sul africana. Mas talvez os traços mais marcantes da herança local na arquitetura da África do Sul estejam nas coloridas construções do povo Ndebele. Estudos indicam que suas construções originais eram construídas na forma de grandes cúpulas de palha, assim como as habitações zulus. Porém, com a colonização e a necessidade de se unir a outros povos, os Ndebeles se aliaram ao povo Pedi, e acabaram adotando suas características construtivas. As habitações passaram a ser construídas em forma de cilindro, geralmente de madeira e barro, com uma cobertura cônica de palha. A pintura também apresenta padrões característicos herdados do povo Pedi.

africa-do-sul

Habitação Zulu em KwaZulu-Natal

arquitetura sulafricana Mpumalanga

Habitação Ndebele próxima a  Hartbeespoort Dam – Habitação Ndebele em Mpumalanga

fonte: Southafrica.info

A arquitetura sul africana também recebeu bastante influência de seus colonizadores. Podemos citar como exemplo a arquitetura holandesa do Cabo e os edifícios de influência inglesa que abrigam instituições e residências em diversas cidades do país.

Nos estados do Cabo a arquitetura colonial holandesa se configurou de forma única. Inicialmente as edificações eram simples e erguidas geralmente com materiais locais, como barro e cascalho e mais tarde tijolos cerâmicos. Com a prosperidade das fazendas de vinho da região, a área das construções cresceu e surgiram as características empenas decoradas.

Cidade-do-cabo

Construções em estilo colonial holandês com empenas decoradas

fonte: Wikipedia

Em estilo Monumental inglês podemos destacar os Union Buldings, que abrigam a sede do governo sul africano em Pretória. Considerado por muitos como uma obra-prima da arquitetura da África do Sul, o complexo em forma semi-circular, representa a união de dois povos, onde uma das asas corresponde à cultura inglesa e a outra aos povos africanos. O edifício é cercado ainda por um grande jardim, com vegetação característica da África.

governo de Pretória

Union Buldings

fonte: Southafrica.info

Como em qualquer grande cidade ao redor do mundo, também encontramos na África do Sul exemplares da arquitetura contemporânea de grande qualidade. Pude conhecer alguns através do site URBARAMA , como o Freedom Park, a House Rosa e a Dune House. Há também outros exemplares contemporâneos de qualidade questionável como o Diamond Building em Joanesburgo, que extrapola a escala da cidade, embora, aparentemente, a fachada envidraçada tenha a função de refletir o céu, fazendo com que o edifício se dilua na paisagem.

dune house Em Joanesburgo

Dune House                                                 Diamond Building em Joanesburgo

Fonte: Urbarama e SouthAfrica.info

E para finalizar, quando constatamos que a realidade das cidades sul africanas não é diferente da de outras cidades em países em desenvolvimento, não podemos deixar de lembrar  dos subúrbios. O mais famoso deles, o distrito de Soweto, em Joanesburgo, abriga desde sobrados a barracos de madeira e se tornou um símbolo de enfrentamento à opressão, sendo origem de muitos heróis da luta contra o apartheid.

Africa do SUl

Subúrbio de Soweto em Joanesburgo

Fonte: BBC

*(descendentes dos colonos calvinistas dos Países Baixos, França e Alemanha)

A arquitetura no sul da África

Por Cláudia Bastos Coelho, Arquiteta, autora convidada.

Na próxima edição: Os Estádios da Copa.


Related Posts with Thumbnails

Publicado em Arquitetura, Esportes.

Etiquetas , , .




WordPress Loves AJAX