Como lançar uma revista em 7 passos

Os bastidores de uma publicação.

Edito podcasts já há alguns anos e as experiências que tive com o Cadeia de Eventos me ajudaram a formar um conceito de estilo temático para cada edição. Cada episódio fala de apenas um assunto, dessa maneira eu poderia aprofundar e colocar pontos de vista diferentes.

Pensei muito durante a vida, já participei timidamente da criação de fanzines que nunca foram lançados, e a ideia de ter uma revista estava em mim. Aí achei o tempo, as ferramentas e em poucos dias tinha formatado tudo, faltando apenas coletar material.

Passos que considerei :

 1. Ideia

Queria uma revista temática, como um podcast, pensei em qual assunto poderia tratar na primeira edição enquanto olhava pela janela do ônibus. Estava bem na minha frente: A CIDADE. Feia, cinza, bonita e colorida, apaixonante, angustiante, viva…

As ideias estão aí, pensamos em coisas que queremos e podemos fazer o tempo todo, mas dessa vez não ficou apenas no pensamento, ela se tornou real, porque eu permiti que ela crescesse.

2. Conteúdo

Agora comecei a pesquisar algumas revistas para poder saber o que eu colocaria nela. Olhando publicações diversas, comecei a estudar o design, a forma. Vi padrões de temas (entrevistas, dicas, propagandas) e comecei a desenhar, num papel de rascunho mesmo, que tipo de conteúdo e colunas eu queria. Optei por poesia, contos e uma grande entrevista sobre o tema.

3. Colaboradores

Escolhido o que conteria a revista, precisava de alguém que produzisse o material. Pensei em escrever, mas percebi que tenho pessoas muito talentosas à minha volta, e convidei alguns amigos. Confesso que o fato de não poder remunerar ainda nenhum deles me preocupou, mas mesmo assim consegui um ótimo material. Mas, caso não conseguisse esses brilhantes colaboradores, a vontade era tanta que eu publicaria sim uma revista só com textos meus, mesmo achando que o conteúdo ficaria uma porcaria.

4. Edição

Agora ao trabalho!

Sei que a maioria dos designers utiliza o Illustrator ou até outras ferramentas específicas para editoração de revistas, mas eu quis aproveitar meus conhecimentos no CorelDRAW para esse trabalho. E deu trabalho sim, mas a pesquisa de formato e conteúdo me ajudou a utilizar certos parâmetros. Conversando depois com pessoas especializadas, percebi que utilizei realmente técnicas do mercado. Fiquei feliz por conseguir fazer algo bom, utilizando meu conhecimento prévio e que teve um bom resultado!

LATIDObr01 Editando Como lançar uma revista em 7 passos

Editando a Revista LATIDObr

 5. Revisão

Essa é uma etapa muito importante! NÃO SE DEVE REVISAR O PRÓPRIO TRABALHO. Converse com pessoas interessadas em leitura, professores de português, permita que pessoas de confiança leiam seu material antes de publicar. Repito: isso é MUITO importante!

6. Publicação

Optei pelo site ISSUU. O módulo básico dele permite uma publicação em um formato muito interessante. Tem algumas limitações na versão gratuita (por exemplo, só é possível que se façam 25 downloads da edição, mas tudo bem, já que posso subir o arquivo em PDF e disponibilizar o link em outros locais).

7. Divulgação

Redes sociais! Não tem outra maneira. O caminho é esse. Email pode ajudar? Pode, mas ninguém mais lê! Então, Facebook, Twitter, se tiver um blog divulgue o material, conte com os amigos, sozinho ninguém faz porcaria nenhuma funcionar direito.

Abaixo o resultado de nosso trabalho:

Ou faça o download grátis da Revista LATIDObr 01 – A Cidade.

É isso! Um grande abraço e até a próxima.

 


 

 

A Vida, o Universo e Tudo Mais

E então chegamos ao Volume três da Série d’O Guia do Mochileiro das Galáxias (quem quiser ler o que escrevi sobre o 1º e 2º estão aqui e aqui).

DSC00996 A Vida, o Universo e Tudo Mais

Assim como o Volume Dois é diferente do Volume Um, esse Volume Três é diferente dos outros dois, tanto no tom como, para mim, na temática também. O tom que rege o livro é melancólico e, por que não, parece ser meio desiludido também com o mundo (o Universo) e os seres [não posso dizer "pessoas", pois, afinal, estamos num Universo A Vida, o Universo e Tudo Mais com formas de vida muito diferentes da nossa rs]:

“Contudo, no final foram as tardes de domingo que se tornaram insuportáveis: aquela terrível sensação de não ter absolutamente nada para fazer que se instala em torno de 14h55, quando você sabe que já tomou um número mais que razoável de banhos naquele dia, quando sabe que, por mais que tente se concentrar nos artigos dos jornais, você nunca conseguirá lê-los nem colocar em prática a nova e revolucionária técnica de jardinagem que eles descrevem, e quando sabe que, enquanto olha para o relógio, os ponteiros se movem impiedosamente em direção às 16 horas e logo você entrará no longo e sombrio entardecer da alma.

A partir daí as coisas começaram a perder o sentido. Os sorrisos alegres que costumava distribuir durante os funerais dos outros começaram a sumir. Aos poucos, começou a desprezar o Universo em geral e cada um dos seus habitantes em particular.”

Você se depara com esses parágrafos logo no Capítulo 1 A Vida, o Universo e Tudo Mais, imagine o que vem pela frente… E o que temos pela frente é a história de várias guerras que ocorreram no Universo e uma que está prestar a recomeçar, e que os nossos amigos dos outros volumes, os personagens principais, tentam evitar… talvez não tentem tanto assim rs, mas é em torno desse tema que o livro é desenvolvido. Acredito que por tratar de um “assunto sério” como a guerra (e seus motivos idiotas para acontecerem) é que o livro tenha esse tom mais melancólico. Para vocês terem uma ideia, até mesmo o nosso sempre-animado-e-pronto-para-uma-festa, Zaphod A Vida, o Universo e Tudo Mais, está enfrentando, nesse terceiro volume, uma crise de identidade, uma depressão, enfim, o cara não está legal…

[P.S.: Não vou falar muito sobre a(s) guerra(s) para não dar spoiler para quem não leu ainda icon smile A Vida, o Universo e Tudo Mais ]

DSC00995 A Vida, o Universo e Tudo Mais

O Volume Três é o menos engraçado até agora; os sarcasmos e ironias ainda estão lá, mas, como disse antes, o tom é bem diferente dos outros. Mas há uma cena em que eu ri bastante [aqui acho que pode ser considerado spoiler por alguns, mas vamos lá], que é a cena em que Ford procura algo que ele diz ser um POP A Vida, o Universo e Tudo Mais, Problema de Outra Pessoa:

“— Um o quê? – perguntou.

— Um POP.

— Um P…?

— … OP.

— E isso seria?

— Um Problema de Outra Pessoa.

— Ah, que bom – disse Arthur, relaxando. Não tinha ideia do que se tratava, mas o assunto parecia ter terminado. Não tinha.

— Lá – disse Ford, apontando novamente para os gigantescos outdoors e olhando para o campo.

— Onde?

— Ali! – disse Ford.

— Estou vendo – disse Arthur, que não estava.

— Está? – disse Ford.

— O quê? – disse Arthur.

— Você está vendo – disse Ford, pacientemente – o POP?

— Achei que você tinha dito que era problema de outra pessoa.

— Exato.

Arthur assentiu lentamente, cuidadosamente e com uma cara de total imbecilidade.

— E quero saber – disse Ford – se você consegue vê-lo.

— Quer mesmo?

— Sim.

— E com o que – disse Arthur – ele se parece?

— E como diabos vou saber, seu burro? – gritou Ford. — Se você consegue vê-lo, você é quem tem que me dizer.”

E a conversa vai ficando cada vez mais maluca e mais engraçada quando você descobre como funciona o conceito de POP, inclusive, em alguns momentos acho que vou tentar aplicá-lo na minha vida… icon wink A Vida, o Universo e Tudo Mais

E vamos para o Volume Quatro!

 

_______________________________________

Poesia e a descoberta do mundo

Sempre vejo por aí comentários sobre a Literatura dizendo, às vezes, que ela é uma fuga e um alívio para a realidade dura (de merda rs) que enfrentamos nos nossos dias sobre Terra…

Acho essas frases feitas interessantes e ambíguas porque, para mim, apesar de a leitura ser uma espécie de casulo em que você parece se distanciar da realidade, ao mesmo tempo foi uma das coisas que me ajudaram a entender melhor o mundo, a sociedade e as pessoas, as relações humanas enfim.

E o meu caminho pela leitura, pela Literatura Poesia e a descoberta do mundo, começou pela poesia e não pela prosa, como é o mais comum. E o livro que me despertou para o mundo [o real rs] e para o mundo das Letras foi o A Rosa do Povo, do Carlos Drummond de Andrade, este, até hoje, um dos meus autores mais queridos; quando fico muito tempo sem ler algo dele, e retomo a leitura de um velho poema conhecido, sinto como se estivesse reencontrando um velho amigo, pois conheço aquele jeito de falar, de se expressar, aquelas ideias e aquele sentimento de que ele te entende e você o entende, como se fôssemos cúmplices nessa vida besta rs.

DSC00993 Poesia e a descoberta do mundo

Minha edição de A Rosa do Povo.

A Rosa do Povo é um livro de poemas que eu acho fantástico! [Essa provavelmente é a voz da fã falando, mas o livro é bom mesmo! icon smile Poesia e a descoberta do mundo ] Alguns poemas têm um clima pesado, outros um tom desiludido… Muitos estudiosos dizem que é o retrato de como as pessoas estavam se sentindo num mundo que viu e estava vendo ainda os acontecimentos da 2ª Guerra Mundial Poesia e a descoberta do mundo. Foi a leitura desse livro de poemas, por exemplo, que me fez ficar curiosa e me interessar por História, para saber o que tinha acontecido, o que era essa Guerra e por que as pessoas estavam tão sorumbáticas no mundo…

[P.S.: Li esse livro no começo da adolescência, lá pelos 12 ou 13 anos, e a escola que eu frequentava não era lá essas coisas em questão de ensino...]

E foi assim, com um livro de poemas me levando a um de História, que me levou a um de Filosofia, que me levava a um de crônicas e contos, que me remetia a um outro de prosa, que eu fui conhecendo mais do mundo em que vivo e mais das pessoas com quem vivo. Para mim, a leitura pode até ter servido de fuga da realidade em alguns momentos, mas foi a maior responsável por abrir as cortinas e mostrar o mundo como o vejo hoje.

Quem se interessar pelos poemas e prosas do Drummond, tem esse site muito legal do Memória Viva e vários outros pela Internet a fora rs. Você também pode procurar livros dele nas bibliotecas públicas [foi onde onde encontrei e li quase todos os livros dele], enfim, para um leitor curioso e apaixonado pelas letras e pelo mundo-livro oportunidades de lê-los é o que não falta.

Boas leituras e boa semana!

___________________________________

O bullying e o aprendizado

Essa é especial para os meninos: que me perdoe a patrulha do politicamente incorreto, mas a trollagem é uma das melhores coisas da vida.

Em tempos de discussões tão acirradas sobre o bullying, eu vejo que nesse processo de criarmos uma consciência tão excessivamente cuidadosa com a formação da autoestima dessa juventude, algumas coisas importantes são perdidas no caminho. Hoje em dia não consigo esconder um sorriso cada vez que ando pela faculdade e vejo um garoto dando um pescotapa no amigo. Significa que certas tradições ainda se mantêm. Acreditem ou não, meninas, isso nos faz muito bem.

Fui adolescente nos anos 1990, numa época em que bullying era uma expressão que nem existia. A expressão, mas não o ato. O bullying era comum e não há como negar: em muitos casos, era puro sadismo social.


O que confunde muita gente é quem nem toda “zoeira” era bullying, nem toda trollagem tinha a intenção de humilhar. Muitas vezes, era justamente o contrário. Se pegassem uma máquina do tempo e voltassem ao verão de 1994, veriam que eu e os distintos cavalheiros que são hoje meus padrinhos de casamento, amigos de longa data e pessoas do meu mais íntimo convívio social, vivíamos nos batendo. Ninguém vinha à escola de calça de moletom e ficava impune – sempre tinha alguém para baixar suas calças em locais públicos; ninguém soltava piada sem graça sem tomar um monte de tapas na cabeça; ninguém arrotava alto e esquecia de encostar o polegar na testa; amarrar o tênis perto dos amigos era sempre uma tortura, porque não paravam um minuto de te desequilibrar. Tinha o “passar a jaca”, o tapa com a ponta dos dedos no saco, o dedo molhado no ouvido, a pasta de dente na cara durante os cochilos, o puxão de orelha nos aniversários… Certos dias, nossa rotina parecia um episódio dos três patetas, só que com muito mais patetas.

A zoeira, de modo geral, é um jogo. Você zoa seu amigo, ele te zoa. Quem zoa mais, ganha. Quem fica sem resposta, perde. Simples assim. É verdade que, como tudo que é competição na vida, é fácil se deixar levar pela vontade de vencer e começar a quebrar regras. E isso inevitavelmente acontecia. Em muitos momentos a trollagem perdia os limites e alguém ficava bastante ofendido, e com razão.

A questão é que isso nunca foi privilégio das brincadeiras de mau gosto entre adolescentes. Conviver é assumir o risco de magoar as pessoas que a gente ama, algumas vezes intencionalmente, mas muitas vezes sem querer. Atire a primeira pedra quem nunca magoou os pais ou avós ou cônjuges com algo que disse e depois se arrependeu. Acontece. É um ajuste natural que faz parte do processo de convivência. Demorei anos para entender isso, mas é um fato da vida: infelizmente não se pode aproximar-se de verdade de um ser humano sem assumir esses riscos.

Foi com meus amigos que percebi que esse é um risco que vale a pena correr. Quando se supera essa fase das ofensas, quando se aprende a perdoar (e evitar, quando necessário) o mau dito, as amizades se consolidam de verdade. Você deixa de apenas rir dos seus amigos e com seus amigos, e aprende a rir de si mesmo. E quando a gente aprende a rir de si mesmo, é sinal que a autoestima está em alta. E com autoestima saudável tudo fica melhor. Até as piadas.

Vem também a confiança. Os xingamentos se abstraem e perdem o seu sentido pejorativo original: você chama o seu amigo negro de negão e ele sabe que não é racismo, ele te chama de corno e você sabe que ele não acha sua mulher infiel, vocês dois chamam aquele seu amigo homossexual de bichona e ele sabe que vocês não estão destilando homofobia; e chamam o outro amigo heterossexual de viadinho, e ele sabe que não estão desconfiando de sua opção sexual. Todos os significados e contextos ofensivos estigmatizados milenarmente nos mais escabrosos palavrões são convertidos simplesmente em um “Seu troll do caralho!” ou então um “Seu bundão, que disse que ia encontrar a gente na balada e não foi!”. Você não se ofende mais porque sabe, no âmago mais profundo da sua alma, que seu amigo jamais teria a intenção de te ofender: vocês viveram juntos, cresceram juntos, apoiaram uns aos outros nos momentos mais difíceis de suas vidas. Enfim, são pessoas que conquistaram a duras penas o direito de se chamarem de filho da puta de vez em quando.

Quando se chega nessa fase, descobre-se que todas as histórias lendárias de amizade verdadeiras, a lealdade dos mosqueteiros, a união dos cavaleiros da Távola Redonda, não são de todo ficção. Pelo menos em termos de relações, aquilo tudo é possível. Basta saber o exato momento de deixar o mimimi de lado e começar a rir quando tomar um pescotapa daquele seu colega.

 

___________________________________________

Guillaume Grand – L’amour est laid

Como hoje é sexta-feira, resolvi postar uma música que toda vez que ouço me dá vontade de dançar:

Descobri essa música “flanando” no Youtube Guillaume Grand   Lamour est laid. Não sei muita coisa desse cantor… Pra falar a verdade, só sei que ele é francês, que é cantor e compositor e que gosto das músicas dele icon smile Guillaume Grand   Lamour est laid

Ah, o videoclipe que a mulher do clipe de L’amour est laid vê na TV é o primeiro que vi dele:

Se quiserem mais detalhes sobre o Guillaume Grand Guillaume Grand   Lamour est laid podem acessar o site dele ou a sua página no Facebook.

Bom, espero que gostem das músicas ou que pelo menos saiam mais animados p’ras baladas de sexta à noite icon wink Guillaume Grand   Lamour est laid

 

__________________________________

pixel Guillaume Grand   Lamour est laid